segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Copo meio cheio ou meio vazio?

Copo meio cheio ou meio vazio? Porque não ter o copo a transbordar?
Se as pessoas entram na nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem (Lilian Tonet), então porque razão por vezes sentimos o copo meio cheio, outras meio vazio...? Talvez porque a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida (Vinícios de Moraes)...
Será que temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos, como escreveu o britânico Bertrand Russell? Será que a vida é mesmo uma caminhada pela qual vamos semeando e no final teremos o que colher? E quando existem dias em que sentimos que cada dia é uma vida inteira, teremos o copo a transbordar? E quando sentimos em cada ausência uma eternidade... continuará o copo a transbordar, ou passamos a vê-lo como meio cheio ou meio vazio? A realidade das nossas vidas é fundamentada nas nossas próprias sensações, então porque mesmo que com a alma partida temos muitas vezes um sorriso nos lábios? A vida é para nós o que concebemos dela, escreveu F. Pessoa... Será mesmo?
Quando, na vida, uma porta se fecha para nós, há sempre outra que se abre. Em geral, porém, olhamos com tanto ressentimento para a porta fechada, que por vezes não nos apercebemos da outra que se abriu...
A vida mais doce é não pensar em nada (Friedrich Nietzsche)... não será esse o segredo para ter o copo a transbordar?



"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos." Charles Chaplin

sábado, 15 de agosto de 2009

Um facto cruel

Tudo muda a uma velocidade assustadora.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O melhor soneto de sempre

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


O soneto 11 de Luiz Vaz de Camões


terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ser o vazio de alguém

Pior do que viver com um sim ou com um não, é viver num Outono. Mata saber que somos o morno de um outro alguém. Um "quase que", que não passa quase que de um vazio. Alguém que quase que ama, mas não ama. Alguém que nos escapa por entre os dedos pela distância, pela ausência, pela indeferença, por sorrisos e abraços vazios. A Paixão queima, o Amor enlouquece, o Desejo atrai. O vazio é um sentir de um nada. Não há alegria, não há dor. Somente o vazio. Um nada por encher. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma. De nada adianta esperar uma vitoria iludidos por merecer a oportunidade de encher um coração vazio. Não é ter medo de tentar mas sabemos que apenas vivemos num sonho que nunca se realizará. O ser humano precisa de perseguir sonhos, de viver para que hajam as lembranças para guardar, precisa de um coração cheio, a transbordar. Dois não podem construir o que um não quer. Mas muitos há que precisam que cheguemos para nos poderem seguir... ainda que mal me vejas, entendas, ames, ou agarres... segue-me. Sempre que houver um vazio na tua vida, enche-o de Amor. Se há "alguma coisa", um "não sei o quê", sente-se na cabeça, no peito, nas mãos, na gargante, na voz... uma batida suave que vem de mim e se sente em ti. E dela se consegue começar a esboçar algumas linhas, palavras soltas até, que com o tempo, um dia, podem virar poema. E é aí que as palavras escritas ganham alma e são cantadas com a voz do coração. E desta forma as palavras ganham facilmente asas para voar quando eu estiver ausente.
"No começo só havia o vazio, transbordando com infinitas possibilidades, das quais uma delas és tu". William Arntz

Guerreiro da Luz

Todo guerreiro ja ficou com medo de entrar em combate....
Todo guerreiro já perdeu a fé no futuro.
Todo guerreiro já trilhou um caminho que não era dele.
Todo guerreiro já achou que não era guerreiro.
Todo guerreiro já falhou em suas obrigações.
Todo guerreiro já disse "Não" quando queria dizer "Sim".
Todo guerreiro já feriu alguém que amava.
Por isso é um guerreiro; porque passou por estes desafios, e não perdeu a esperança de ser melhor do que era.

Paulo Coelho